terça-feira, 12 de abril de 2011

Simão, o Saxofonista - Risomar Fasanaro

Quem participou do carnaval deste ano em Osasco, deve ter se surpreendido com o trabalho da banda Musitema, liderada por José Simão, mais conhecido por Simão. Sua banda alegrou foliões de vários bairros, no Carnaval da Família que a Secretaria de Cultura promoveu este ano.
A história de Simão se inicia em um pequeno sítio entre Santa Cruz e São José do Campestre, cidades do Rio Grande do Norte.
Com três, quatro anos, a linda voz da mãe o encantou e o despertou para sua vocação musical.
Mas estudar música naquele recanto longínquo da capital não era fácil para aquele menino que tendo perdido o pai, precisou trabalhar desde os nove anos. Era ele um dos garotos que naquele sertão colocava barris em um jumento e saía para buscar água nas cacimbas.
Contudo, ninguém pense que o pequeno Simão desempenhava com tristeza suas funções. Enquanto guiava a jumenta, ele percorria as estradas empoeiradas cantando as inúmeras canções nordestinas; entre elas o “Xote das Meninas”, fazendo de uma das bacias um pandeiro.
As composições de Luiz Gonzaga que ainda hoje são muito executadas no nordeste faziam parte do seu repertório e o alegravam, mas não conseguiam diminuir as dificuldades de dona Rita e seus dois filhos, Simão e Maria Aparecida; por isso, ela resolveu ir morar na casa do irmão, em Cruzeta, região do Seridó. Lá o garoto foi trabalhar em um sítio.
Simão já era um adolescente e já sabia o que queria de melhor fazer na vida: ser músico. Mas para isso era preciso estudar, só que na cidade de Cruzeta não havia nenhuma pessoa que conhecesse música.

Foi com o professor Pinta,conhecido como mestre Pinta, que ele aprendeu suas primeiras lições na cidade de Acari, há dezenove quilômetros de distância mas aquela distância não constituiu empecilho para aquele garoto obstinado. Muitas vezes ia a pé, porque não conseguia “carona”.

É importante frisar que ele foi a primeira pessoa da cidade de Cruzeta a estudar música. Ele não possuía o instrumento, mas vendo seu interesse, o pároco da cidade, Ernesto Spíndola, não só o incentivou,como conseguiu o seu primeiro saxofone, para que ele realizasse seu sonho e pudesse fazer parte da corporação musical de Acari.

Àquela altura ele já trabalhava em uma pequena fábrica de sapatos, como ajudante de sapateiro. Muito dedicado, logo depois foi promovido, e se tornou sapateiro.
Com o saxofone, reuniu alguns amigos, ensinou música a eles e formou uma pequena banda. Também trabalhava em um serviço de alto-falante da prefeitura até às 22h, quando a iluminação era desligada.
Em maio de 1967 , quando exercia a função de escrivão de polícia, na cidade de Cruzeta, tirou uma licença e veio para São Paulo.
Aqui ficou até dezembro. Naquela época fez parte da Corporação Musical Santo Antônio de Osasco, e começou a trabalhar como profissional.
Mas no final de 67 voltou para Cruzeta, no RN, e em 68 se casou em Acari e resolveu voltar para São Paulo.
Aqui chegando, foi trabalhar nos Correios e estudar no Conservatório Villa Lobos de Osasco. Lá foi aluno de Bruno Felice, um grande pianista que lecionava no Conservatório e passou a estudar cada vez com mais afinco, tendo sido aluno de grandes músicos, dentre eles Amintas, conhecido como Sarrafo, que era músico da orquestra da TV Globo, época em que Simão por um breve período acompanhou  Chacrinha, o velho Guerreiro.
Para ele, Sarrafo foi uma das pessoas mais importantes na sua formação musical.
Simão trabalhou também em algumas casas noturnas de São Paulo como a Bierhalley, Terraço Itália e Casa di Napoli.
Tocou também em algumas bandas de música hebraica, além de ter acompanhado grandes artistas do país como Altemar Dutra, Noite Ilustrada, Ângela Maria e outras. Fez parte também do grupo Italian Music show com Roberta Miranda, 1978.
Simão também tocou com o Grupo Menphis, com a orquestra de Francisco Petrônio, de Morais Sarmento, Orquestra Tirolesa, com o Grupo cigano Henry Polak, e vários outros.
A dificuldade financeira o levou durante os anos 70, 80 e 90 a cantar música italiana para sobreviver. Para ele era um absurdo precisar fazer isso, e houve um momento em que achou que com esse trabalho estava fazendo mal ao país.
Foi quando resolveu desenvolver o projeto “Isto é Brasil”, que tem por objetivo mostrar que a música brasileira não é só isso que as estações de rádio e TV apresentam. Que ela é muito mais. Que além da diversidade de ritmos e melodias, é uma das mais belas e mais ricas do mundo. Ele registrou esse projeto em um documentário que está gravado em DVD.
A luta atual desse grande saxofonista é a busca de apoio dos órgãos competentes (secretarias municipais, estaduais, ministérios...) de Educação e Cultura, que lhe possibilitem levar às crianças e jovens do país esta música que a mídia comprometida com o capital, não divulga.
Simão pretende levar esse projeto às escolas, e a todos que se interessem em elevar o nível do gosto popular, e incentivar o conhecimento desse gênero de alta qualidade que o Brasil possui e que, infelizmente, as pessoas a ele não têm acesso, principalmente as crianças e os jovens , e criar uma nova consciência no país.
Recentemente ele lançou o CD “ Frevo é Arte, Frevo é vida” com composições que parecem ter sido compostas e executadas como se fosse um verdadeiro pernambucano. Passamos a compreender isso a partir do instante em que conversando com ele constatamos o amor que tem à cultura e à arte da terra dos arrecifes.
Torço para que ele encontre apoio das autoridades, e consiga atingir seus objetivos que, no fundo, são os objetivos de todos nós que amamos a cultura e a arte do nosso país.

3 comentários:

Anônimo disse...

O BRUNO (SEU PROFI DE PIANO ACABOU DE MORRER HOJE, O ENTENRRRO AMANHÃ CEMITÉRIO DE VILA MARIANA)

Anônimo disse...

Vocês têm o contato de Simão? Sou um velho amigo dele, mas infelizmente o email que estou tentando falar com ele não dá certo.

liriodoprado disse...

À pessoa que me pede contato com o Simão;Tenho o telEfone dele, por favor, anote: 2778-3502 e o celular é (11) 7365-9289.
Grata por visitar meu Blog!
Abraços
Risomar