quarta-feira, 1 de junho de 2011
Minha primeira figura humana
Continuei com as aulas de pintura uma vez por semana,e estou contando esta experiência porque quem sabe ela possa ajudar alguém que esteja passando por uma fase difícil na vida, e tomando conhecimento da minha trajetória de quem se sentia absolutamente desprovida de talento,lendo este relato se sinta incentivada a começar também a fazer algo que a ajude a sair da tristeza.
Continuando a falar das aulas: eu queria a todo custo começar a desenhar pessoas. Por quê? Porque assim que surgiu a ideia de começar a estudar pintura, logo pensei que me dedicaria principalmente a pintar índios brasileiros.
Mas a Gladys, como boa professora, sabia que ainda havia um longo caminho que eu deveria percorrer, antes de chegar a pintar pessoas. Foi assim que pintei paisagens com barcos, flores, natureza morta... Mas aí...
Era uma tarde de domingo, e eu tinha uma única foto de uma criança karajá e uma tela em branco. Era uma tela pequena, de 30x40cm, e meus olhos iam da foto à tela, da tela à foto.
Por fim, não resisti: peguei o carvão próprio para desenhar em tela, e esbocei o que eu achava que era aquele rosto. Naquele instante, minha irmã que morava vizinha à nossa casa, e que é professora de Educação Artística, estava entrando, e eu toda orgulhosa lhe mostrei minha “obra de arte”.
E sabe qual foi a reação dela? Começou a rir sem parar... e eu ali, sem entender nada. Aí ela me explicou que o rosto tem proporções, e passou a me ensinar como se desenha um rosto. O primeiro erro estava na distância entre um olho e outro, que é igual à medida do olho.Regra que já comecei desobedecendo. Hoje faço isso tranquilamente, conhecendo as regras e desobedecendo-as
Depois daquilo, ela me emprestou uma apostila com o desenho do corpo humano.
Bom, pintei o menininho, mas não me arrisquei a pintar o interior dos olhos. No dia da aula, cheguei com as mãos para trás escondendo a tela, e disse:
“Gladys, você vai ficar brava, mas não resisti, pintei esse indiozinho. Ela olhou e disse: está bom. E os olhos? aí expliquei porque não havia pintado, e ela pintou um me ensinando e eu pintei o outro. Pois é...só na semana seguinte iria conclui-lo, por isso fui à casa de minha amiga Regina Pereira Crepaldi e ela me ensinou a colocar luz na figura.
O quadro que ilustra o texto de hoje é o da criança karajá.
Depois disso passei por vários professores, li muito, e já não achava importante a exatidão das formas. Comecei a deformar rostos, corpos e flores, e atualmente estou em outra fase. Mas essa história não termina aqui. Ao longo do meu relato vocês vão ver como as mãos materializam o que nos vai na alma. Ainda que seja a alma de uma aprendiz, que é o que continuo sendo.
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1 comentários:
Riso de Deus!
Esse post ficou sensacional!!!
Tanto quanto o primeiro, me emocionou. Meus olhinhos que o digam.
Estou certa de que suas experiências serão de extrema valia para todos que fizerem um visitinha ao seu blog.
Continue assim... sendo a esperança de tanta gente!
Beijos.
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