Da janela da minha cozinha no segundo andar, vejo uma mulher aproximando-se. Parece conhecida. O entusiasmo toma conta de mim.
É W., amiga não só porque temos os mesmos pais, mas a mesma dor de viver.
Não, é R., amiga que troca tudo comigo: felicidade, dores, literatura.
Não, é L., amiga que chegou há pouco mas que tomou assento cativo.
Não, é M.L., amiga que é profundidade a toda prova.
Não, é V.C., amiga que desvela o dentro de mim, com naturalidade.
Não, é V., amiga que me leva ao cinema e ainda me explica o filme, de forma poética.
Não, é E., amiga frágil que toca na minha fragilidade também.
Não, é S., amiga com quem aprendo a profissão e a desconfiar do certo.
Não, é Y., amiga que foge de mim, mas que vou atrás dela, seja onde e quando for.
Não é R., amiga sensível que roda o mundo e me faz viajar junto.
Não, olhando mais de perto, constato que a mulher que passa é uma desconhecida. Fica a sensação de quem são minhas amigas, diferentes entre si e iguais no meu afeto
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