domingo, 20 de novembro de 2011

BELO, Belo é tecer palavras, é fazer poesia

Alguns leitores do Blog pediram que eu publicasse algo sobre o autor do belo poema "Meu Caminho" que saiu a semana passada, e estou fazendo isso.
Este é Antonio Belo: camiseta com bandeira do estado de Pernambuco

Algumas vezes o destino brinca de esconde-esconde com a gente. Alguém nos fala sobre uma pessoa e você não se liga, não dá a mínima importância, não procura conhecê-la, nem sequer faz perguntas sobre ela.
Os anos passam, e um dia, inesperadamente você conhece a pessoa, assim, sem perguntar, sem procurar...Alguém chega perto de você e diz: este é fulano, irmão de fulana...
E você sente o puxão de orelha do Destino colocando diante de você aquela pessoa que será tão especial na sua vida. E você vai descobrir quanto perdeu por não ter conhecido antes quem tem tanto a ver com você.
Descobre que ela ama os índios tanto (ou maquis ) do que você, que se preocupa com os desfavorecidos, que se interessa pelos mesmos assuntos, e que tem aquela espontaneidade, aquele bom humor que você tanto admira, e que de brinde traz até você outras pessoas, e neste caso que estou contando, que é pessoal, o ?Destino me trouxe um amigo que parece que conheço há cem anos, e de quebra dois poetas.
Como não sou egoísta, divido com vocês os poemas dos dois irmãos, Antonio e Joaquim,e futuramente escreverei sobre meu novo Amigo, Paulo Roberto.
Joaquim construiu em versos a árvore genealógica de parte da família. Aí está;


Ai que saudade que tenho
Da casa de minha avó
Do sitio lá dos coqueiros
No vale do moxotó

Julieta, lá nasceu
Nas margens do Piutá
Um rio seco e excêntrico
Com um cão particular

Casou com Augusto Belo
Caboclo da Tinindeira
E era filho legitimo
De Belarmino Bandeira

Sertaneja de muita fé
Cumpriu o que prometeu
Deu um belo nome de santo
A cada filho que nasceu

O primeiro foi São José
O que faz chover do sertão
Para salvar a lavoura
E aumentar a produção

O segundo foi Manoel,
Também de parto normal,
Tem um nome do senhor
Porque nasceu no natal

O terceiro foi São Joaquim
Que se tornou o meu guia
Escolhido na folhinha
Pois era o santo do dia

O quarto foi Santo Antônio
O santo casamenteiro,
Na escolha do matrimônio,
Ajuda quem é solteiro

O quinto foi São João
O nosso santo festeiro,
Se chover lá no Sertão,
Tem festejo o mês inteiro

Chegou à vez de Maria,
O seu composto era Inez,
Que na santíssima trindade
Era a primeira das três.

Inalda foi à oitava,
Mas era também Maria,
Foi a segunda da trinca
A trazer essa alegria.

Ivoneide outra Maria,
Só a saudade deixou,
Muito antes do combinado
Foi morar com o senhor.

Chegou à vez de São Paulo,
Não sei o oficio que faz,
Talvez ajude o rapaz
Na luta com satanás.

Abriu alas pra São Pedro,
Aquele que julga o réu,
Ele é quem dá o veredicto
Pro defunto entrar no céu

O caçula foi São Carlos,
Misto de santo e de rei,
Mas por bem pouco o menino
Não se chamou Severino

Os santos de Augusto Belo
Que Julieta pariu
Espalhou-se pelas terras
Do nosso imenso Brasil.




(Na foto Antonio e seu irmão Joaquim)
Belém, 20/05/2001.
Biografia de Antonio Belo
Antônio Belo da Silva (na prática, sempre dispensa a acento), nasceu em Custódia, Pernambuco, em 09 de julho de 1948; porém é registrado como nascido em Sertânia, cidade de sua mãe e onde viveu os melhores anos de sua vida. É filho de Augusto Belo da Silva e Julieta Januária da Silva. É o quarto de dez irmãos, dos quais, nove continuam vivos. Viveu até os dezenove anos no interior do sertão de Pernambuco, tendo-se mudado para Recife em início de 1968, para fazer o terceiro ano científico. Cursou engenharia civil na Universidade Católica de Pernambuco (1970-1975) e trabalhou na profissão até 1998, quando se aposentou. No entanto, ainda trabalha, sendo perito criminal e professor do ensino médio (ambos através de concurso público) no estado do Tocantins, onde reside desde 1991. A poesia entrou na sua pauta por acaso. Apesar de gostar de poesia, nunca pensou em escrever, o que somente veio a ocorrer depois dos 30 anos, mesmo assim, esporadicamente. Além de literatura, gosta e admira pintura e música, embora não tenha o dom para a prática dessas artes. Escreve crônicas, poesias e está "ensaiando" escrever uma peça teatral há uns doze anos e nunca tem tempo de concluí-la. Está no terceiro relacionamento conjugal e tem cinco filhos "espalhados" por esses relacionamentos afora... A mudança para o Tocantins deu-se em virtude de trabalho como engenheiro rodoviário, pois o estado estava sendo criado e as estradas eram precárias.
Além de engenharia civil, fez uma Complementação Pedagógia em, Licenciatura em Química (2001/2002), pela Universidade do Tocantins – Unitins e uma Especialização em Metodologia do Ensino Superior – Unitins – 2007/2008, em Palmas-TO.
A mudança para Palmas deu-se por motivo de transferência na função de Perito Criminal, em virtude da qualificação como engenheiro, para a Seção de Engenharia Legal e Meio Ambiente, em virtude da carência de profissionais engenheiros no quadro de peritos do Instituto de Criminalística do estado do Tocantins, pois o concurso dá prioridade da formados em Direito, mesmo em detrimento à qualidade dos serviços periciais. Tenho dito!!! (olha a concordância hein!!!, o texto está na 3ª pessoa!!!). Mas, “Tem dito” não tem a mesma força...
algumas fotos de Antonio com a mulher, em um barco em Palmas,com a filha Margarida, e com um grupo de alunos.


antonio em Palmas To.









A linguagem do olhar
Não é coisa desse mundo
Pode nos levar às estrelas
Ou ao abismo profundo.

Não é um idioma
Nem um “fato consumado”
Mas quem lê nas “entrelinhas”
Antecipa o resultado.

O olhar, é o espelho da alma...
Representa aquilo que desejamos fazer
Mas não ousamos dizer...

A magia do olhar
Não está em decidir,
Mas, sobretudo, em sonhar.

03.08.07
00:03h




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